Muitas vezes, somos tomados por um silencioso senso de inadequação. Sentimo-nos deslocados no mundo, inseguros diante das pessoas e, não raramente, constrangidos diante do próprio Deus.
Entretanto, ao voltarmos os olhos para os capítulos iniciais de Gênesis, somos lembrados de que nem sempre foi assim. No princípio, havia comunhão plena entre Deus, Adão e Eva. Naquele ambiente perfeito, Deus se fazia conhecido por meio de Sua palavra, revelando não apenas Sua vontade, mas o Seu próprio coração. E a humanidade, representada por Adão e Eva, podia permanecer diante do Criador sem medo, sem máscaras e sem reservas. Não havia vergonha. Não havia distância. Não havia qualquer sensação de inadequação.
Tudo isso, porém, foi quebrado quando deram ouvidos à voz do enganador. Seduzidos pela ideia de uma vida autônoma, sem a dependência da presença de Deus, desobedeceram à voz do Criador. O resultado foi imediato: a inadequação tomou lugar da comunhão. Tornaram-se inadequados em relação à criação, feridos no relacionamento um com o outro e, de forma ainda mais dolorosa, afastados da presença de Deus.
Ainda assim, a história não termina na queda. Deus, fiel ao Seu propósito eterno, aproxima-Se da humanidade com amor e graça. Mesmo diante da nossa inadequação, Ele nos busca. Seu Filho unigênito assume a forma humana, toma sobre Si a nossa condição e carrega aquilo que não podíamos carregar, para que, n’Ele, recebamos Sua perfeita retidão.
Por isso, à luz dessa verdade, somos chamados a descansar. Não permitamos que as tentações da carne, do mundo e de Satanás lancem dúvidas sobre a nova condição que recebemos em Cristo. Não somos mais definidos pela inadequação, mas pela graça. Quem poderá nos acusar? Temos um Advogado fiel, que intercede por nós continuamente diante do trono de Deus.
Que essa verdade aquiete o nosso coração e nos conduza a uma vida de confiança, gratidão e entrega.