Dias atrás, conversei com um irmão que compartilhou algo que o deixou perplexo. Ele havia participado de um culto voltado para a importância de se fazer missões, cujo tema principal era a igreja perseguida e a necessidade urgente de um maior envolvimento das igrejas com os irmãos que sofrem todo tipo de perseguição e sofrimento por amor a Jesus Cristo.
Enquanto vídeos mostrando a dura realidade da igreja perseguida eram exibidos e o povo era convocado a ter empatia pelos cristãos perseguidos, um líder da igreja acompanhava tudo com um semblante de insatisfação. Ao final do culto, esse irmão se aproximou do líder carrancudo e lhe perguntou o que havia achado de tudo o que acabara de ver e ouvir. A resposta foi a seguinte:
“Eu acho tudo isso uma perda de tempo. Na verdade, esse negócio de missões atrapalha o bom funcionamento da igreja.”
Como assim??? Pregar o evangelho e se envolver com aqueles que deixaram tudo para anunciá-lo nos lugares mais distantes do mundo… atrapalha o funcionamento da igreja?!?
Esse líder está completamente enganado quanto ao verdadeiro propósito da existência da igreja de Cristo. A maior missão da igreja foi dada pelo próprio Senhor Jesus e está registrada em Mateus 28.19-20.
Se o crente vive cada dia de sua breve existência nesta Terra sem se preocupar com a evangelização das pessoas ao seu redor, ele está se equivocando profundamente. Ainda que frequente o templo regularmente, seja assíduo às aulas da EBD, e seja dizimista e ofertante fiel, ainda assim lhe falta algo imprescindível.
Há alguns anos, um pregador esteve em nossa igreja e usou a figura de um farol para ilustrar o que está acontecendo com muitas igrejas hoje. Ele disse que um farol é construído com o único objetivo de orientar os navios, sinalizando a presença de terra firme — um local de abrigo e refúgio para os navegantes perdidos e desesperados diante da fúria de um mar agitado.
O farol citado pelo pregador, no entanto, havia se transformado em um shopping, com várias lojas, praça de alimentação, amplo estacionamento coberto e todo tipo de entretenimento para quem estava em terra firme. Todos estavam tão satisfeitos e entretidos com o farol transformado em shopping que já não viam mais necessidade de acender a luz no alto da torre para orientar os navegantes.
O farol perdeu o sentido de sua existência. E o mesmo tem acontecido com muitas igrejas evangélicas. Estamos tão entretidos e satisfeitos com os louvores, as programações e as reuniões, que acabamos perdendo de vista a nossa maior missão: anunciar as boas novas do evangelho.
Pregar o Evangelho e se envolver diretamente com missões nunca vai atrapalhar a igreja — em momento algum, em lugar nenhum.
Pense nisso!